21/11/2008
Fortes e frágeis

 


Fortes e frágeis

Mulheres nascem e morrem com uma única personalidade e acreditem, cada uma distingue da outra.

Mulheres acreditam que beleza é fundamental, seja ela exterior ou interior.

Mulheres não admitem ponto final. Elas acreditam em recomeço.

Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.

Mulheres gostam de coisas simples, seja tomar banho de chuva ou encontrar “aquele”  batom.

Mulheres surpreendem-se com pouco, até mesmo com uma simples flor apanhada na rua.

Mulheres não amam homens. Mulheres amam o amor.

Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.

Mulheres são insaciáveis. Procuram a cada dia mais seu espaço.

Mulheres amam estar gestantes, de filhos ou de idéias.

Mulheres adoram o cotidiano. Odeiam a rotina.

Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.

Mulheres gostam do incerto. “E se”, “talvez”, “pode ser”, “eu acho que”.

Mulheres encantam. Mulheres desencantam.

Mulheres geram destinos, embalam sonhos e entrelaçam em uma mesma trama a sensibilidade e a coragem.

Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.

Jaque Crivilatti

 

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12/11/2008
Uma vida televisiva

Uma vida televisiva

 

                Um corpo escultural, com medidas literalmente imprescindíveis. Uma carreira extremamente bem sucedida e um príncipe, montado em um cavalo branco e com aquele aparato romanesco. É esse o sonho sonhado por maior parte das mulheres. Digo com precisão, pois já fui uma destas. Agora não mais sou. Mas Lucy é uma destas milhares de devaneadoras que conheço. Ela trabalha no mercado publicitário, então, tudo gira em torno da sua mente fantasiosa. Ela espera um encontro ideal há 12 anos. E o encontro ideal de Lucy não é nada convencional, assim como sua mente. Ela imagina que seu encontro deve ser uma campanha de shampoo: Ela linda e maravilhosa atravessando uma movimentada avenida de uma metrópole e ele um charmoso homem que pára o carro importado bruscamente ao sentir o aroma que exala de seus cabelos, ele corre em sua direção, a abraça e a rua se enche de flores que marcam a fragrância do shampoo.

                Mas a vida, a vida real passa muitíssimo longe de propagandas publicitárias e Lucy nem havia notado que algo se passava entre ela e um cliente da agência onde trabalhava. Ele aparecia pelo menos duas vezes na semana para conferir o andamento dos trabalhos que havia solicitado e sempre arranjava algum trabalho para ser feito.  Mas Lucy não estava nem aí, não tinha nada de romântico, nenhum violino, nenhuma rosa, nada de glamour. Para ela, não aconteceria nada entre os dois, pois ele a via sempre com olheiras, de uniforme, com um visível mau humor matinal. Embora ela sentisse as mãos suarem e o coração acelerar um pouco quando ele se aproximava, não conseguia perceber que ali estava nascendo algo, nem percebia que seus olhos constantemente se encontravam com os deles e que ele estava sentindo algo por ela e ela por ele. Passaram alguns meses, o cliente de Lucy, sumiu.

                Certo dia ela foi convidada para um almoço de domingo na casa de praia de uma amiga e coincidentemente reencontrou seu cliente lá, ele era amigo do namorado da amiga de Lucy.

                O vento soprava e o dia não estava muito ensolarado, mas a praia estava linda, com este cenário ao fundo, Lucy avistou o seu cliente, ele caminhava pela areia, vindo em sua direção, do interior da casa vinha um som gostoso de bossa misturado com as ondas do mar. Foi o bastante para Lucy repentinamente e surpreendentemente gritar:  Hugooo!!!

                O coração foi a mil, as mãos suaram e então ela percebeu que Hugo era um príncipe.

                Instantaneamente o coração de Lucy desacelerou, as mãos ficaram tremulas e a face atônita, pois percebeu que Hugo estava acompanhado e diga-se de passagem, muito bem acompanhado.  Abismada com o final da sua triste propaganda, Lucy pensou em se recolher, achar algum cantinho e chorar. Mas que nada! Ignorou as lágrimas, o cenário perfeito que havia visto e já bolou em sua mente copiosa uma propaganda mais invasiva, onde Hugo deixaria a atual amada para ficar com ela, bolou mentalmente todo um cenário e contexto que resultariam em um desfecho feliz.

                Lucy não está se importando, tudo o que ela quer é uma vida televisiva, onde o príncipe seja encantado e ela a princesa despertada. Se não for assim, ela não quer. Pena que os dias não são inacabáveis e que sonhos, quase sempre, só podem ser propagandas publicitárias.

Jaque Crivilatti

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25/10/2008
Mãe Terra

 

Mãe terra

A terra edificando, construindo e formando, vida.

A terra sujando, lambuzando e brincando, criança.

A terra borbulhando, revirando e banhando, passarinho.

A terra transformando, germinando e nascendo, flor.

A terra moldando, afeiçoando e construindo, casa.

A terra plantando, colhendo e alimentando, comida.

A terra dançando, subindo e descendo, vento.

A terra arredando, dissipando  e cobrindo, morte.

 

Jaque Crivilatti

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5/9/2008
Televisão pra quê?

 


Televisão pra quê?

                Em uma sexta-feira chuvosa de novembro de 1968 o Sr. Amadeu surgiu em casa acompanhado por carregadores de uma loja de eletrodomésticos, móveis e outros afins. Descarregaram e desembalaram na sala uma extraordinária televisão, em preto e branco ainda, mas, muito vistosa e grande, realmente grande, uma caixona de madeira com uma tela oval onde segundo Geraldina, continha o mundo.
                Tudo preparado, família reunida em seus assentos e estava aberta a visita ao mundo em um apertar de botões, só faltava Ofélia, a filha mais nova. Dona Elvira levantou-se e foi chamar a filha para prestigiar a mais nova aquisição de seu pai, mas Ofélia não estava nem aí, e ela lá ia querer saber de televisão? Estava escutando vitrola com os olhos fechados e disse a mãe: Pra que ver, se a imaginação sempre foi muito melhor que a realidade? Prefiro construir novas flores na minha florescência.


Jaque Crivilatti

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13/8/2008
Um pouco mais de candura

Para Jesus, feito por crianças
 

“Querido Jesus, nós estudamos na escola que Thomas Edison inventou a luz, mas no catecismo dizem que foi você. Pra mim, ele roubou a sua idéia.” 

“Querido Jesus, por favor ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a Páscoa. No meio, agora está sem nada.”

“Querido Menino Jesus, por gentileza, mande-me um cachorrinho. Eu nunca pedi nada antes, pode conferir.”

“Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você.”


E se todos tivessem pensamentos mais "miúdos" o mundo seria verdadeiramente grande.


Jaque Crivilatti

 

 

 

 

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27/7/2008
Rosa

 

Rosa


Não me preocupo que ao longo dos dias,

minha derme, minha voz e meus cabelos fiquem senis.

Penso na rosa: Hoje é botão, amanhã enflora e depois principia a

despetalar.   
  
Vou deixando a mocidade e meu aroma pelo ar.  

O tempo vai ventando e levando um pouco do meu eu e da rosa,

as pétalas, a fragrância e nossas folhas que escoltam gentilmente o

vento.

E por lentamente me consumir,

me rescindir,

é que o futuro recordar-se-á de mim, da rosa.

Pétalas, porções de mim.

Desabrochar a cada dia mais,

eis meu fado.

                                                                                          Jaque Crivilatti

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19/7/2008
Encontro

 

Antônio encontrou Maria

 

            No fundo do copo, no fundo da garrafa, no fundo do caneco, no fundo da taça, no fundo do poço, assim estava a vida de Antônio.  Já não encontrava motivos para viver desde sua demissão em uma das mais famosas companhias de telecomunicações e após o termino de um relacionamento de longa data, longa mesmo, 34 anos.

            Pai de cinco filhos, homem de cinco mil dívidas, homem de 5ª categoria que só se animava após o 5º copo de cachaça pura. Andava por aí, sem era nem beira, arrancando os cabelos, tentando encontrar soluções impossíveis, cambaleando as pernas e os sonhos que um dia tivera. Pobre do Antônio! Não tem nada, não é de nada, não quer saber de mais nada!

Um dia desses, era um dia normal, aconteceu um encontro casual e o destino fez de seu azar a mais pura sorte. Antônio conheceu Maria, mulher franzina, de pele eriçada e de mãos calejadas.

            Antônio e Maria enamoraram-se, casaram-se e recomeçaram. As queixas de Antônio dissiparam e seu vício partiu. Maria estava mais robusta, com a tez e mãos lisas.

            Gostar faz bem, todo mundo precisa amar também.

 

Jaque Crivilatti

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2/7/2008
Bicho-Homem

 

 

Dona Tereza e o Bicho-Homem

 

            “Porque quando nóis cheguemo aqui, era tudo um matagal só. Pra lá, aqui e lá pras banda do Seu Bastião, era tudo mato! Hojindia se vê só as urtiga e as tiririca da minha hortinha. Como que pode, né? O bicho homê é um bicho arcaide mesmo! Cabaram com tudo a natureza, despois ficam falando desse calorão que anda esquentando o mundo. Tô pra vê bicho mais burro! Tô pra vê, fia!”

 

 Jaque Crivilatti

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27/6/2008
Não

 

 

Não

 

Olho-te tão pleno, tão sereno, tão ameno. Nunca é o suficiente para explicar o que jamais será presente.

Admiro-te em cada porção, em cada dimensão, em cada emoção e vem-me a razão.

Querer-te não devo e por isso escrevo. Escrevo o que decorre em minha mente, que transcorre em meu peito, latente.

Gosto-te escondida, incontida em vontades que jamais serão realidades.

És feliz, és amado, mas por mim, continuará sendo um sonho esperado.

Venero porque puramente te quero.

Arquitetei um bem-querer surreal, não ideal.

E por amar-te tão amiúde, guardei-te onde ninguém saberá, onde jamais sairá e onde sempre estará: No meu coração e na razão do não.

 

 

Jaque Crivilatti

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23/6/2008
Ironizando

 

Ironizando...

 

 

Jactar-se de puerilidades: A futura geração revolucionará este país!

... 


 É, aham...

 Hahahaha!

 Mais uma vez, everybody: Hahahaha!

 

 

Jaque Crivilatti

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22/6/2008
Oportunidades

 

 

Oportunidades

 

            Sílvia já acordava cansada, saia apressada para o trabalho e às vezes, quase sempre, perdia o ônibus. Reclamava, reclamava sem parar e continuamente, questionava o mundo: “Por que tudo é tão difícil?”. Acreditava somente naquilo que possuía sentido, que para ela, era o que podia ver, conhecer e entender. Por isso acreditava veemente no seu potencial e achava que todos seus problemas precisavam unicamente e exclusivamente de uma resolução que somente ela podia dar.

            Mais um final de mês batia a porta de Sílvia e ela estava esgotada de fazer cálculos e mais cálculos, estava esgotada de tentar sustentar um relacionamento insustentável e ainda mais esgotada de ser mártir e heroína de si mesma. Foi então que em uma atitude inimaginável, Sílvia atirou-se no chão, olhou para o céu com o rosto lavado e os olhos transbordados em lágrimas, gritando: “Eu preciso de você! Deus, sozinha eu já não posso mais! Preciso de força, preciso de paciência, preciso de sabedoria! Dá-me Senhor!” e,  ficou ali por mais algum tempo, atirada no chão, chorando incontrolavelmente.  Depois de soltar todo pranto que estava trancafiado há algum tempo no peito, ela dormiu. Outro dia começou e Sílvia seguia seu itinerário: Reclamando e questionando o mundo. Outros dias vieram e Silvia continuava com os mesmos problemas, mas, em proporções cada vez maiores. 

            A beira de um precipício e envolta em uma extensão de problemas, Sílvia precisava agir, precisava achar alguma solução, por mínima que fosse. Decidiu erguer a cabeça e prosseguir. Encarar problema a problema. Mergulhar no marasmo de dificuldades que ela mesma havia arquitetado e, solucionar.

            Forte, Sílvia havia tornado-se forte. Revigorada ela solucionou problema a problema, entendeu que encarar os problemas é preciso, evitá-los é aumentá-los e entendeu que podia entender a crença de milhares de pessoas em Deus, pois, Ele sempre esteve presente na vida dela, ela que não o via. Deus estava ali, dando oportunidades a Sílvia, de adquirir mais força, adquirir mais paciência e adquirir mais sabedoria. Todas as dificuldades na verdade, representavam oportunidades.

 

 

Entender os desígnios de Deus nem sempre é fácil, mas, Ele sempre nos dá oportunidades de compreendermos e sempre nos dará oportunidades de adquirirmos nossas aspirações.

Lembrem-se: Todo dia é uma nova oportunidade de adquirirmos aquilo que quisermos, basta acreditar.

 

 

Jaque Crivilatti

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12/6/2008
Dizem

 

Dizem

 

Dizem que o amor é algo tão imensurável que o dia que alguém conseguir medir as medidas do quanto ama alguém, não ama verdadeiramente.

Dizem que amar alguém é enclausurar uma só pessoa no peito e fazer-se clausura de si mesmo (a).

Dizem que o amor é quando a alma inclina-se tanto e o coração infla tanto que os dois abraçam-se.

Dizem tantas coisas a respeito do amor, que no final de tudo, tudo vira só dizeres.

 

Jaque Crivilatti

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5/6/2008
Humanos

 

          

           
Humanos...

 

Em uma conversa informal, acompanhada de um legítimo macchiato italiano, um grande empresário dizia a um de seus melhores funcionários:

- É triste, mas a equipe “x” da minha empresa, é formada por completos idiotas.

E seu funcionário travava a língua para não soltar o que lhe descia da cabeça e fervilhava na boca: “É que o Sr. os trata de igual para igual”.

 

 

                                                           *******

 

 

Quando Cecília foi pega roubando alguns tostões do caixa da lanchonete, sem sentir-se muito culpada, disse:

- Eu também sou humana!

 

 

Jaque Crivilatti

 

 

 

 

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3/6/2008
Simplesmente viver
 

Simplesmente viver

            Ela entrou naquela rua e seguiu. Seguiu como se alguma premeditação a insinuasse seguir por lá. Descalços, andava e observava atentamente cada casa, cada árvore, cada vã florzinha de qualquer jardim que avistasse e em sua mente transcorriam muitas coisas, que a cada passo ela imaginava um fato diferente que houvera acontecido em sua vida. Ela via tanta vida se espelhando nas vidraças das casas e sentia tantas sensações, ora boas, ora ruins, momentos infelizes que haviam sido substituídos por felizes e entrava em desespero quando imaginava que a poucos passos, talvez, a morte pudesse a encontrar e essa magia chamada viver pudesse acabar. Impaciente, ela apertava fortemente os chinelos que carregava nas mãos, como se quisesse apertar alguma mão amiga e pensava: Eu vivi de maneira digna. Continuou caminhando e se fosse seu fim, seria. Caso não o fosse, ela arquitetava utilizar os dias que lhe restavam para simplesmente viver.

Jaque Crivilatti

 

 

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15/5/2008
A fé, o sustento.

 

 

A fé, o sustento.

 

Porque mesmo que se fechem todas as portas, apaguem-se todas as luzes e esvazie-se toda a casa, não me importarei.

 

Entre as portas fechadas, refletirei: “Preciso ser a mudança que anseio ver no Mundo”.

Mesmo na escuridão, fecharei meus olhos e sonharei Teus sonhos para mim.

No ecoar do vazio farei meu louvor: “Amo ao meu Senhor”.

 

Porque entre as portas fechadas, Deus está lá.

Porque na escuridão, Deus está lá.

Porque o vazio Deus preenche com Sua presença.

 

Porque pela fé já não encontro animo em desanimar.

 

Jaque Crivilatti

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10/5/2008
Resposta para Carlos Drummond de Andrade

 

Resposta para Carlos Drummond de Andrade – E agora José?

 

Apesar da festa ter acabado

apesar de José não saber,

apesar de a luz ter apagado,

apesar do povo ter se dispersado ,

apesar da noite estar gélida e cálida,

apesar de José nem saber quem é.

Apesar de José estar sem mulher e sem carinho, sozinho.

apesar de José não poder morrer poeticamente submergido nas águas azuis do Atlântico,

apesar de José nem ter mais qualquer cântico.

Apesar dos pesares,

José está lá, firme e forte,

como a pedra que cobre o sepulcro,

um miserável vendedor sem lucro.

 

José não gritou,

José não gemeu,

José não tocou valsa alguma,

José não dormiu,

José não cansou,

José não morreu.

 

É Drummond, o José é duro, tão quão guerreiro!

 

E apesar de estar no escuro,

sem Hércules algum,

sem parede, sem rede,

sem cavalo preto ou branco,

José não fugiu a galope,

nem marchando,

nem correndo,

Porque José, meu caro Drummond,

é duro, é forte, sim ele é.

José tivera sorte, em meio a tanta razão e morte,

de ter fé no coração.

 

 

Jaque Crivilatti

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5/5/2008
Triste

 


Animalesco...



O mundo girou em circunferência, a saber: Ficou de pernas pro ar.


Tive certeza concreta disto quando vi duas notícias que estamparam jornais e jornais nos últimos dias: O assassinato da menina Isabela e sobre o austríaco “possuído”, Josef Fritzl, talvez vocês não lembrem pelo nome, mas, este é o insano que prendeu sua filha durante 24 anos em um cativeiro subterrâneo, a assediando sexualmente e conseqüentemente, tendo sete filhos com a mesma. Duas notícias de fazer com que eu pelo menos, tenha certeza de que a vida está perdendo o completo sentido de ser vida. Bom, o fato é que não se fala de outra coisa em conversas informais e há alguns dias, ouvi um cidadão dizer o seguinte, sobre ambos os casos: “É coisa do demo! Animalesco!”

Olhe, coisa do demo, absolutamente é. Agora animalesco... não é não! Alguém já viu algum animal matar a própria cria? E molestá-la? Talvez a zoologia aponte algum caso, mas, animais irracionais não têm consciência e, estou começando a achar que os racionais também não...

 

Sad... L

 

 

Jaque Crivilatti

 

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4/5/2008
Biel

 

Sem sal?

 

           

            Saltitante veio Biel ao meu encontro.

 

            - Tia Jaque!!!

 

            Um abraço e um beijo recebi. Logo, ele correu para a cozinha e avistou o bolo formigueiro que eu havia feito. Seus olhos pararam instantaneamente e percorreram cada raspinha de chocolate que cobriam o bolo.  Apontou o dedo e perguntou:

 

            - Posso tia Jaque?

 

            - Mas é claro gurizinho! Quer uma fatiazinha? Uma fatia? Ou uma fatiazona?

 

            - Todas!

 

            (Risos)

 

            Menos de 5 minutos foi o suficiente para que Biel devorasse uma “vistosa” fatia de bolo e um copo de refrigerante. Vendo sua satisfação e antes que ele acabasse com a última migalha, perguntei:

 

            - E então, a tia já pode casar?

 

            - É tia, pensando bem, ta sem sal...

 

            - Como sem sal? Neste bolo não vai sal, meu amor.

 

            - SEMSALCIONAL tia!!! Coloca mais uma fatiazinha, uma fatia e uma fatiazona?

 

            Risos tomaram conta da cozinha. Criança tem cada uma.

 

Jaque Crivilatti

 

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2/5/2008
Batatas

 

 

                                                                             * SR. Cabeça de Batata - Toy Story

Quer saber? Vá plantar batatas!

 

            De vendedor de sobremesas a vendedor de batatas, Roberto Rutigliano é um exemplo de empreendedorismo. Não sei porque, mas, me deu vontade de falar sobre este assunto.

            Comecei a ler alguns artigos impressos que estavam entre os materiais de Marketing da minha irmã e vi este, sobre Roberto. Fiquei intrigada, afinal o que levaria uma pessoa a investir em uma produção de batatas pré-fritas em um país (Brasil) onde consome-se apenas 600 gramas do produto por pessoa durante o ano? Absurdamente louco demais, mas, continuei a leitura do artigo e descobri que, realmente, o empreendedor de batatas, popularmente falando: Ferrou-se.

            Apesar de ser hiper visionário, o empresário teve uma mentalidade estratégica, então, ele que estava a ponto de levar um “xeque-mate” reverteu à situação aliando-se a uma das maiores produtoras de batatas da Bahia. Bingo! Roberto acertou em cheio e, hoje, vende 400 toneladas de batata ao mês. Ele diz que, agora está pensando em mandiocas...

            De agora em diante, quando me sugerirem ou até mesmo afirmarem que devo “plantar batatas”, encararei com um largo sorriso no rosto. Batatas são tudo de bom!

 

 

 

Jaque Crivilatti

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27/4/2008
Coisas de mãe

 

 

 

Hipérboles de mãe

 

Guria, já disse um milhão de vezes: Coloca os chinelos! Depois fica gripada, com dor de garganta e quem tem que passar noites e noites em claro, colocando o termômetro mais de mil vezes, para ver tua temperatura? Meninaaaa vai levar uma coça tão grande que vai ficar com os vergões da varinha nas pernas! Um dia essa pestinha ainda me mata do coração! As Havaianas estão gastas de novo? Mas não deu nem uma semana de uso, você anda comendo borracha, minha filha? Chorando desse jeito vai chamar a atenção da rua inteira! Chora quieta, anda!!! Você sabe porque a cada dia que passa surgem mais cabelos brancos na minha cabeça? Já viu que minha cabeça está tomada deles? Todo dia rezo a mesma missa, tu gosta disso é? Quantas vezes vou precisar repetir? Até ficar rouca? Vai inundar a casa desse jeito, pare de ser essa menina mimada! Chega de comer essas porcarias! Isso mata, sabia? Um dia perco o juízo e corto tua língua se mostrar novamente pra mim! Não quero você se comportando dessa forma, já cansei de dizer isso! Não come nada essa menina, está com quantos quilos? 2? Você acha que seu pai tem uma plantação de arvorezinhas que dão dinheiro?  Um dia sumo dessa casa e ninguém mais me vê, to falando sério!

E é sempre assim... Sem tirar, nem por, desde minha infância, mas, como viver sem essas hipérboles? Como viver sem ela? Definitivamente, não dá. 

 

Jaque Crivilatti

 

 

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